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sábado, 22 de março de 2014

Entrevista do Coronel Cracel à TVI 24


Antecedendo imediatamente o Desfile da Famíllia Militar de 15 de Março de 2014, o Presidente do Conselho Nacional da AOFA, Coronel Manuel Cracel, deu uma longa entrevista à TVI 24! Imperdível!

http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/14110540/1

domingo, 16 de março de 2014

16 de Março de 1974

16 de Março de 1974

«Em 4 de Março avisámos Lisboa ( Hugo dos Santos) de que os Majores Casanova Ferreira e Manuel Monje regressavam à metrópole no dia seguinte e estavam cheios de entusiasmo e algum voluntarismo. Denotavam extrema vontade de intervir. Haveria que dar o melhor enquadramento à sua dinâmica. Otelo distraiu-se do nosso aviso, como confessou, e ocorreu o 16 de Março! [Ver páginas 92 e 93 do livro “30 anos do 25 de Abril”- jornadas de Reflexão em Oeiras-25 de Março de 2004]: Otelo Saraiva de Carvalho confessa:  “O Duran Clemente disse-nos que na Guiné, quando se deu a despedida dos Majores Casanova Ferreira e Monge o pessoal em comissão na Guiné ficou com a absoluta convicção que eles regressavam a Lisboa para fazer qualquer coisa, por levar por diante uma acção, de que vinham com essa ideia fisgada de que as coisas estavam muito paradas e que era preciso agir.”(…) ” Duran Clemente-continua dizendo Otelo- dá-nos outra justificação para o 16 de Março: tendo regressado da Guiné, de facto, com a ambição de fazer qualquer coisa, de romper com a situação, o Casanova Ferreira vai exercer sobre mim uma enorme pressão”.» 


«Como nota de rodapé esclareça-se que em finais de Dezembro , estes oficiais, com mais cinco oficiais superiores entre estes o Major Rodrigues Coelho, manifestam também adesão ao Movimento. Assinaram na nossa presença uma carta enviada ao General Spínola confortando a sua decisão e colocando-se ao seu dispor na mudança.»

*Duran Clemente ,Cor Ref  (excerto do seu depoimento "Guiné-Bissau:o 25 de Abril e a treansferência de Poderes")

terça-feira, 11 de março de 2014

O DEVER 1º E ÚLTIMO (O ALFA E O OMEGA) DO SOLDADO É ANTES DE SI, SABER SE A PÁTRIA E O SEU POVO ESTÃO BEM.




Disse na reunião da AOFA, de 22 Fevereiro, e escrevi no texto " A PÁTRIA A TODOS CHAMA", (claro um texto esquecido, pudera!) que  é da condição essencial do soldado, entre outras interrogações, fazer as seguintes:


Camaradas, nós militares, as nossas organizações representativas, têm de, com sentido de emergência e, acima de tudo, fazerem um estudo de situação sobre as seguintes ameaças a Portugal e aos portugueses:

- a soberania de Portugal, está, actualmente, garantida mesmo ao nível da chamada reserva estratégica? As privatizações são legitimas, legais ou caem no conceito do direito internacional de Odiosas? A saída tão generalizada dos recursos humanos jovens e qualificados não ameaça duplamente a soberania portuguesa pela diminuição do potencial humano e o demográfico?

- a desmilitarização das Forças Armadas consolida ou enfraquece a defesa da soberania Nacional?

- a soberania de Portugal poderá ser, ou mesmo está garantida, ao nível da actual estrutura politica, económica, financeira do euro, com um Portugal que empobrece e cada vez mais se endivida, para pagar juros vergonhosos e imorais a agiotas, deixando as actividades produtivas essenciais de fora, na área da industrialização, agricultura, pescas e mercado interno?

- como se pode garantir a independência e o desenvolvimento de Portugal com a diminuição dos cuidados de saúde, nomeadamente nas Forças Armadas e dos níveis de educação, o que, afectará de um modo grave o potencial estratégico humano, em quantidade e qualidade?

- como é compaginável com  a democracia e o estado de direito o empobrecimento forçado de 6 milhões de portugueses, a injustiça fiscal e uma absoluta distorção na redistribuição da riqueza, fazendo de Portugal uma nova Singapura, um Marrocos no Sul da Europa etc?


o estado social adequado à preservação da dignidade de cidadão  dos reformados, desempregados, trabalhadores e outros está garantido, ou estamos a abrir a nova época dos pobres oficiais, nomeadamente, com a bomba social da maior gravidade com os desempregados de longa duração, que ficarão sem emprego e sem  nenhuma protecção social a médio prazo?


- a continuação desta situação de crise moral, económica e da austeridade ameaçam ou não a democracia Constitucional?

- a continuação desta desesperante situação para centenas de milhares, milhões de portugueses, pode levar a uma expressão da indignação   constitucionalmente protegida  a níveis de extrema gravidade. Em tal situação que pode levar à declaração do estado de  emergência, previsto Constitucionalmente, como se poderão vir a posicionar as Forças Armadas no respeito pela Constituição e pela integridade do Povo Português e dos seus bens?



etc etc

andrade da silva

NÃO TER VERGONHA, OU SER FILHO PRÓDIGO É O QUE MAIS CONTA NESTA TRÁGICA-VIGARICE LUSITANA.



É muito interessante ver,  para onde corre tanta gente e tanta alma pura.

É  espectacular  ver ,como em Portugal , se dá tanto valor  a  quem não tem vergonha, por isso, vivemos na m_rda. Assim, eles ganham sempre, e, ainda, como é central na vida politica, social e religiosa o sermão do filho Pródigo, sobretudo porque, quem perdoa se sente mais, mesmo que depois se lixe.

Que "gande" gesta!

Bem-aventurados sejais, e que o Inferno nunca vos saia na rifa,  mas muito me engano.... mas um dia.... a estrela da indignidade marcará o holocausto de tanta e boa gente que gosta de ser vigarizada.

Bem-aventurados, mas...

Alguém  disse que o heroísmo, é sempre residual,  será?

Todavia, dia seguinte, só haverá, se através de um grupo de liderança e um projecto Nacional , assente na Democracia, na Dignidade e no Desenvolvimento, se garantir o Futuro >

ALIANÇA SÁBIOS HONESTOS DA NAÇÃO X MILITARES X POVO= REVOLUÇÃO SOCIAL; POLITICA; CULTURAL; MORAL= SOLUÇÃO= PORTUGAL DOS PORTUGUESES

 Mas o que há.....????? E  Porquê?

Mas, se disser a mentira calamitosa de que as Forças Armadas, ao dobrar da esquina, vão ser a solução para o pantanal Português, milhões de Almas  saudarão esta jogada de  poker, ou se disser que as Forças Armadas isto e aquilo, pelo  que já deviam ter feito não sei quantos, o mesmo frenesim.

Todavia, sem  adivinhar o Futuro,  e (re) conhecendo o vulcão, só poderei dizer que há um longo, muito longo, caminho a percorrer e, tão somente, porque a  solução  exige a mudança total da  natureza deste e destes  Estados: ou seja, uma tremenda  Revolução Social, Politica, Económica e Moral, pelo que,  restam os  remendos, e porquê?

andrade da silva

segunda-feira, 10 de março de 2014

Lá vem o Colégio Militar que tem muito que contar


Do Tenente-Coronel Brandão Ferreira

http://www.aofa.pt/artigos/Brandao_Ferreira_La_vem_o_Colegio_Militar_que_tem_muito_que_contar.pdf

MORIBUNDA, ANTES DE COMPLETAR 40 ANOS


Do Capitão-de-Fragata Serafim Pinheiro

Na quarta-feira de cinzas vi um vídeo sobre o debate desse dia na Assembleia da Republica o qual me permitiu registar um golpe mortífero na Democracia desferido pelo primeiro-ministro. Não me surpreendeu o autor do golpe mas chocaram-me as circunstâncias. Fiquei assustado. No dia seguinte a tão triste e grave acontecimento tive a possibilidade de assistir a reportagens de televisões em directo mostrando milhares de guardas e polícias  a protestarem em frente do edifício da Assembleia da Republica. O número de manifestantes com semblante de revolta e o nunca visto dispositivo de segurança que foi montado, impressionaram-me ao ponto de sentir  iminência de confronto violento entre camaradas, amigos e talvez familiares.

Propositadamente deixei passar o tempo para reflectir, coleccionar impressões e observar eventuais consequências daqueles dois extraordinários acontecimentos. Ontem, voltei aos vídeos, sem emoções a alterarem sentidos e após noite de conselho resolvi escrever o que segue.

Acerca do debate  não encontro necessidade de transcrever palavras porque o que marcou a sessão parlamentar foi a consciente, errada e irascível decisão tomada pelo ministro com maiores responsabilidades no governo para interromper um debate com um silêncio. A rigidez e a falta de cor que  Passos Coelho evidenciou em dramático momento são prenuncio de uma morte, aliás confirmado na manhã seguinte pela ausência de caixa sobre tão importante assunto nos principais jornais. O fim violento de um  debate entre parlamentares, indispensável instrumento da Democracia,  feriu-a com tal gravidade que para sobreviver precisará de cuidados intensivos. Sobre a manifestação das mulheres e homens que trabalham nas Polícias e outros Serviços de Segurança, a minha apreensão é enorme porque se não houve confronto deve-se exclusivamente ao equilíbrio e sangue-frio dos organizadores do protesto e dos comandantes do dispositivo de segurança montado. Nenhum crédito resta aos políticos e governantes que não têm querido nem sabido resolver os problemas que há anos lhes são apresentados pelos guardas e polícias e não se importam de arriscar confrontos de consequências imprevisíveis.

A dinâmica dos acontecimentos referidos agravou os problemas que assombram os Portugueses e multiplicou as razões para todos os silêncios serem quebrados antes que o silêncio a todos seja imposto. Como se tanto mal não bastasse tudo piorou quando  o Presidente da Republica pede Paz  aos Portugueses  porque faltam só dois meses para terminar uma intervenção estrangeira, depois de passar mais de dois anos sem recomendar aos ministros soluções mais humanas para executarem o programa da intervenção e sem impedir  decretos violentos e de irregularidade confirmada que roeram o precioso tecido da sociedade civil.

No próximo fim de semana  a "família militar" voltará a desfilar para protestar à porta da Assembleia da República contra reformas que a empobrecem como  à maioria dos Portugueses e põem em risco a eficiência das Forcas Armadas. Os dois mais Altos Magistrados enfrentam simultaneamente problemas que só eles podem resolver e os Portugueses precisam que eles usem a coragem que lhes resta para com senso e prudência encontrarem a melhor solução. A atenção do Comandante Supremo das Forcas Armadas é devida à "família militar"  num momento em que não poderá ficar em duvida a sua  solidariedade com os seus subordinados. A atenção da Presidente da Assembleia da Republica  é indispensável para evitar  falta de proporção no dispositivo de segurança à porta da Casa da Democracia que permita sugerir guarda em funeral prematuro de quem está moribunda  no seu interior. Chá e promessas não diminuirão ofensa a quem em 1974 libertou Portugal e devolveu a voz aos Portugueses.

Quem deseja a Paz e jurou garantir a  Democracia em Portugal não pode permitir que alguém continue a exigir silêncio e paciência de quem recebe  todas as chicotadas da execução de um programa imposto pelos banqueiros da austeridade, negociantes da fome e exploradores do seu semelhante. Não pode permitir que a Democracia morra tão jovem, antes de completar 40 anos.

10 de Marco de 2014
Serafim da Silveira Pinheiro
capitão de fragata na situação militar de reforma

domingo, 9 de março de 2014

A Defesa ao Ataque


Coronel António Mendes Abóbora - "A Defesa ao Ataque" sobre um texto de Brasilino Godinho

Ainda há quem satisfaça as “ORIENTAÇÕES políticas” que lançam veneno, nomeadamente sobre os Militares, que eles pretendem tratamento diferenciado, etc., etc.,.
Daí mais esta “baboseira” de membro do Governo, com os comentários pertinentes, conforme podem ler em baixo na íntegra. Os Militares não pretendem qualquer tratamento diferenciado do resto dos Cidadãos: só pretendem é que sejam respeitados e reconhecidos face à Constituição, bem como têm sensibilizado e tentado consciencializar o Governo e não só, para as profundas políticas antidemocráticas que estão a ser praticadas contra os Cidadãos, e de forma indiscriminada sobre quem menos pode, ou seja, sempre sobre os mesmos. Os tais Sacrifícios que constantemente dizem estar a pedir a todos os Portugueses, realmente só o fazem, como sabeis, sempre aos mesmos.
Se há ainda quem não saiba, é bom que definitivamente  se consciencializem que esses sacrifícios, sempre pedidos aos mesmos, já há muito que se transformaram em autênticos roubos. Como definem que o salário líquido de um Funcionário Público, de um Militar ou de um agente de Segurança, em média se cifre em corte salarial médio mensal, neste momento de 50%? Sim, leram bem, neste momento o cidadão destas classes (sobre)vive com50% do que auferia há 3 anos atrás……

Portanto, não se iludam…..não se deixem enganar nem envenenar….

O que “eles” pretendem, é, também,  precisamente denegrir a única classe que pode, realmente, corrigir este Regime dito Democrático, completamente descaracterizado e adulterado por este governo  anti-democrático, pois as suas acções o evidenciam cada vez mais, ….
Não se iludam, nunca Portugal necessitou tanto de semelhante apoio do povo como sucedeu há umas décadas largas, com as palavras de ordem sobre a “Aliança Povo/MFA”…..
As Forças de Segurança manifestaram-se, em meu entender, e bem. Mas tal não chega, porque o Governo não ouve, não vê, não lhe dá qualquer importância, como sabem….

Vejam e leiam a postura comportamental de quem nos governa, a Legislação que vai saindo, as nomeações que continuam a publicar-se em DR, os Grupos de Trabalho que continuam a ser criados, etc., etc., etc.

Convido-vos então a meditar sobre o texto, e pensem duas vezes, s.f.f., antes de pensar em ir às urnas em Maio. Entretanto atenção à prevista Manif para muito em breve…..e ao necessário vosso apoio

Escrito por Brasilino Godinho   

Ministro da Defesa, ao ataque        
Brasilino Godinho   
... diz que não pode haver tratamento de excepção nos sacrifícios  ...

“Questionado sobre uma manifestação das forças de segurança, Aguiar-Branco garante que o Governo não fica indiferente aos protestos mas que não podem haver tratamentos diferenciados nos sacrifícios pedidos aos portugueses.” (SIC)

Duas breves observações...

Primeira. Impõe-se, desde logo, desfazer a abusiva mentira dos pedidos de sacrifícios (já nos anos quarenta do século passado, proclamava Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, do  III Reich, da Alemanha nazi, que a mentira, continuadamente repetida, acabará por ser aceite como verdade). Esta, é uma mentira da especial predilecção das excelências ministeriais. Aliás, sempre, a todas as horas e nos mais diversos lugares, usada pelos agentes e propagandistas do actual governo. 

A verdade é incontroversa: os sacrifícios não foram pedidos  aos portugueses. Eles,
mais que sacrifícios, foram e são tormentos decorrentes de agressivas medidas atentatórias da dignidade das pessoas, acintosamente impostas aos cidadãos mais carenciados, à classe média, aos funcionários públicos e aos reformados. Tais malévolos expedientes governamentais, também são indecentes atentados desumanos contra a maioria da população portuguesa. 

Não há volta a dar: qualquer pedido envolve a hipótese da sua rejeição – o que, no caso vertente, é liminarmente impossibilitado. E aos portugueses não foi feito qualquer pedido de sacrifícios - acentue-se, definitivamente! Os portugueses, indefesos na sua maioria,
estão sendo vítimas de uma contínua política autoritária de agressão e de saque.  

Para além disso e em sede da mais extremada hipocrisia é pretendido, com recurso a uma subtil linguagem de persuasão, inculcar na mente dos cidadãos a falácia da aceitação dos pedidos de sacrifícios - o que configura um obscuro quadro onde se insere uma programada e cínica prática governamental de lavagem ao cérebro do incauto cidadão.                                  

Segunda. Não pode haver tratamentos de excepção nos "sacrifícios" - diz o ministro Branco, com sobranceria, a direccionar-nos para um rumo ou espaço temporal demasiado negro.

Daqui lançamos o repto ao ministro da Defesa: Diga à Nação quais foram e são os sacrifícios ou os cortes nos vencimentos, nas ajudas de custo, nos subsídios de marcha, de férias e de Natal, nas senhas de almoços, nas despesas com uso de telefones, nas inúmeras viagens pelo país e estrangeiro e demais mordomias, que: estático presidente da desfigurada república, atrevido chefe de um governo à deriva, desenxabidos ministros, secretários (“ajudantes” de cena) de Estado, oportunistas deputados e as rapaziadas das grandes (precoces) especializações que enxameiam os gabinetes ministeriais, têm sofrido nos três anos de vigência do tenebroso desregramento governativo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

A AOFA, os oficiais e a política

No último encontro de oficiais realizado no ISCTE um dos temas mais debatidos e aquele que terá gerado maior controvérsia foi a definição do âmbito dos assuntos que devem estar no centro das preocupações da AOFA e serem objeto das suas posições públicas.
A questão colocada é se a AOFA tem legitimidade para se “meter em política” ou se a sua ação deverá incidir exclusivamente nos assuntos socioprofissionais dos militares e dos oficiais em particular.
Desde então têm sido inúmeras as opiniões que me chegaram. Naturalmente refletindo opiniões muito diversificadas, umas apontando num sentido e outras no seu oposto.
Em muitas dessas opiniões, parece-me persistirem alguns equívocos. Tanto na vertente dos conceitos como na sua aplicação.
Talvez por ser excessivamente desconfiado, fico de pé atrás quando me dizem que tal ou tal instituição não se deve meter em política. Porque o mero ato de respirar tem uma componente política. Tudo é político e todos os cidadãos têm o direito e o dever de se pronunciarem sobre o que direta ou indiretamente lhes diz respeito.
Os que conscientemente defendem essa tese, estão na realidade a afirmar que a política é assunto para uns poucos e que a maioria deverá deixar isso para os “entendidos”. Sabe-se onde é que esta teoria vai levar!
Assim, em termos teóricos, não se me oferecem quaisquer dúvidas que a AOFA tem o direito de se pronunciar sobre política e qualquer discussão deve ter como base esta premissa.
O que se pode discutir é quais as áreas da política em que é legítimo e vantajoso que a AOFA se pronuncie.
Desde logo há áreas da política que por lei, estão vedadas à tomada de posições públicas da AOFA. Por exemplo, a política partidária ou sindical. 
Mas há outras áreas da política que são a razão de ser da AOFA. São os assuntos socioprofissionais e os relacionados com a Instituição Militar (com exceções como a área operacional, entre outras). Hoje, felizmente, a legislação portuguesa é bem clara sobre estes aspetos.
É minha convicção que a AOFA tem o direito de se pronunciar sobre questões de política geral. Nada consta na lei que determine o contrário. Já não estou assim tão convicto se o exercício desse direito é vantajoso ou não.
Concordo com os defensores de uma AOFA virada essencialmente (mas nunca exclusivamente) para os assuntos socioprofissionais. De acordo com os seus Estatutos, é esse o seu objeto social e uma atração excessiva pelos assuntos de política geral não diretamente ligados à comunidade castrense, apenas pode originar clivagens debilitadoras da eficácia da sua ação e prejudicial para os interesses dos oficiais.
Se há áreas em que é legítimo uma atitude firme e pública das associações socioprofissionais dos militares é na exigência de haver respeito mútuo nas suas relações com o poder político. Infelizmente todos sabemos que isso não tem acontecido. As humilhações e vexames atentatórios da dignidade a que todos temos direito, enquanto cidadãos e militares, têm sido uma constante na ação dos sucessivos executivos governamentais dos últimos 25 anos. E em muitos casos nem sequer há questões económicas envolvidas e não se resumem a aspetos socioprofissionais. Fica a ideia, que os setores que hoje detêm o poder político em Portugal, se comportam com um profundo ressabiamento para com os militares, porque estes fizeram o 25 de abril de 1974!
É também legítimo que os militares se preocupem com a independência nacional, ou melhor, a falta dela, porque essa questão está diretamente ligada à sua missão fundamental e ao juramento que fizeram. Portugal tem mais de 800 anos de história, assente no sacrifício da própria vida de muitos milhares de portugueses de todas as gerações e não devemos aceitar que esta se desvaneça ou desapareça por decisões de bastidores frequentados exclusivamente pelas elites. Noto que nas maiores crises da nossa história, essas elites optaram invariavelmente pelo lado dos agressores (muitas vezes externos), contra as populações (ou arraia miúda, como o cronista Fernão Lopes lhes chamou).
Estou seguro que uma esmagadora maioria dos oficiais, sócios ou não da AOFA subscreve as críticas a um vasto conjunto de critérios e ação política observados pelos últimos governos, tais como o BPN, as PPP, a corrupção que grassa em certos meios muito poderosos, as mordomias de que alguns beneficiam em larga escala ao arrepio do aumento generalizado da pobreza e outros.
Mas estes temas não devem ser motivo para a AOFA lhes dar um tratamento público. Outros com maior legitimidade o farão.
Questões como o perfil do Presidente da República ou outras deverão ser preocupações dos civis e não dos militares enquanto tal. Já quando o Comandante Supremo das Forças Armadas, como acontece com o atual, não se assume, é conivente com a generalidade das frequentes sevícias que os seus comandados têm sido vítimas, não dialoga com as associações socioprofissionais e alheia-se das vilanias a que a Instituição Militar tem estado sujeita, uma crítica pública da AOFA, é não só legítima, como constitui mesmo um elementar dever.
São as questões relacionadas com os militares e a sua componente socioprofissional, a Instituição Militar e as suas missões, que nos distinguem de uma qualquer agremiação civil. É aí que a AOFA deverá incidir a sua ação, o que permitirá reforçar a união dos oficiais, tornando-os numa força temível que deve ser tida em conta nas decisões que os afetam.
Na minha modesta opinião a AOFA deverá ter como preocupação central a mobilização dos oficiais em torno dos seus legítimos interesses, sendo essencial que se abstraia de qualquer ideologia política seja ela das oposições ou do governo. O combate político deve-se manifestar quando estiverem em causa os interesses dos militares, dos oficiais e da Instituição Militar.
Se a condução da política se rege pela “arte do possível”, depende de nós e da nossa determinação para que as decisões que o poder político venha a tomar, não nos sejam prejudiciais. Porque discordo profundamente quando se diz que os políticos “têm a faca e o queijo na mão”. Os militares e os oficiais em particular dispõem de um enorme potencial político que não têm sabido utilizar. E o que há a fazer não é nada muito complicado. Apenas terão de se movimentar em massa, no estrito respeito pela legislação em vigor.
A AOFA é a única instituição constituída por oficiais das Forças Armadas, com capacidade legal e institucional para liderar estas movimentações. Penso que no essencial o tem feito. Compete agora a cada um dos oficiais decidir o que fazer. Ou defender ativamente os seus direitos, ou ficar nas encolhas e esperar que as coisas lhes caiam do céu.
Vão ter essa oportunidade já no próximo dia 15 no Desfile da Família Militar que em bom tempo, a AOFA e as outras associações de militares, marcaram para o Largo Camões.

Cte Fernandes Torres