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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sorteio do fisco vai atribuir até 91 mil euros

Sorteio do fisco vai atribuir até 91 mil euros



Que marcas e modelos serão sorteados? Serão da Alemanha da Angela Merkel?

Isto é crime! E é uma vergonha! Enquanto há portugueses a morrer com fome, doentes, desempregados, sem dinheiro para honrarem compromissos assumidos (casa, lares, escola, universidade, etc.), este Governo vai gastar (roubar!) dinheiro do erário público e premiar contribuintes com carros de luxo. Mas, está tudo esquizóide? Não há nenhum procurador, juiz, polícia que prenda ou mande prender estes criminosos?

Oh povo que lavas no rio..., ACORDA!


domingo, 2 de fevereiro de 2014

ROUBOS DA HISTÓRIA, PORQUÊ?




Para não se esquecer os ladrões da  história. 


 Neste caso o, então, capitão  Santos Silva, narra para a história escrita, que foi ele que desempenhou  o papel que outros e eu realizamos na noite de 24 de Abril 74, na Escola Prática de Artilharia, isto é, ele que estava ausente da unidade, para a história, realizou o que sob o meu comando outros fizeram:tenentes Pedro e Sales Grade. 

PORQUÊ?

andrade da silva

A VERDADE SOBRE OS ACONTECIMENTOS DOS DIAS 24 e 25 DE ABRIL 74 NA ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA, Vendas Novas.



Capitães/MFA- A conspiração na Guiné

Capitães/MFA- A conspiração na Guiné





...( este relato pretende ser apenas um contributo, com uma perspectiva pessoal e vivida pelo autor, para que outros surjam a fim de compilar-se um trabalho que se aproxime dos acontecimentos então vividos...é pois um desafio a quantos tiverem coisas para contar  )....


A ideia lançada de que a “revolta dos capitães” começou na Guiné não merece discussão. Têm tanta razão os que a defendem como os outros. A revolta começou em cada um de nós, o espaço não foi temporal nem fisicamente circunscrito a uma qualquer latitude, mas  de facto a Guiné marcou muito os militares e era ressonante o seu efeito como um vulcão de conflitos e desafios.

Efectivamente na Guiné viviam-se tempos favoráveis à  reflexão e ao debate. De forma mais aberta ou mais  reservada a contestação convivia com a humidade e o calor tropicais. Seria injusto não reconhecer a quota parte que se deve à personalidade do General Spinola na criação desse ambiente. As  circunstâncias fizeram o resto; tornaram a colónia da Guiné um laboratório de experiências e de vivências  particulares. Muito pelo seu clima, muito pelo seu tamanho, muito pelo abandono do colonizador e bastante pela forma de actuação do PAIGC e do seu líder Amilcar Cabral.

Talvez se deva considerar, como primeira pedrada no charco, na  Guiné- Bissau, a reacção e repudio dos Oficiais do Quadro Permanente ao               “ Congresso dos Combatentes do Ultramar”. Almeida Bruno, Dias de Lima, Monge, Otelo e outros, puseram ao corrente o general Spínola do descontentamento que se apoderou dos Oficiais em geral. Tratava-se dum Congresso, que mais não era do que uma encenação do governo com o aproveitamento de antigos oficiais milicianos, que desde 1961 haviam cumprido comissões militares no Ultramar. Esse descontentamento chegou a Lisboa pela via hierárquica mas não só. Chegou também a Ramalho Eanes, Hugo dos Santos e a Vasco Lourenço, que encabeçavam na Metrópole, um vasto movimento de protesto.
Quatrocentas assinaturas de Oficiais do Q.P., assinaram em Bissau, protesto idêntico ao ocorrido no Continente.
Um telegrama de Bissau foi enviado para o Porto, onde se realizaria o dito evento (de 1 a 3 de Junho de 1973) assinado por Marcelino da Mata e Rebordão de Brito ( Oficiais naturais da Guiné, ambos com a “Torre e Espada” ) com o seguinte texto:
       
“ Os oficiais do Q. P. Em serviço no teatro de operações da Guiné:
1.       Não aceitam outros valores nem defendem outros interesses que não sejam os da Nação;
2.       Não reconhecem aos organizadores do I Congresso dos Combatentes do Ultramar, e portanto ao próprio Congresso, a necessária representatividade;
3.       Não participando nos trabalhos do Congresso, não admitem que pela sua não participação sejam definidas posições ou atitudes que possam ser imputadas à generalidade dos combatentes;
4.       Por todas as razões formuladas se consideram e declaram totalmente alheios às conclusões do Congresso, independentemente do seu conteúdo ou da sua expressão.”

A este propósito no seu livro “Alvorada em Abril” é com oportunidade que Otelo afirma a pgs. 114: “ Esta autêntica manifestação colectiva poderia ter constituído um sério sinal de alerta para o Regime “ que conclui o parágrafo dedicado ao Congresso, dizendo ainda “ os jovens leões rugiram, mansos, a princípio. Ganhando consciência da sua força, foram deitando as garras de fora e, rugindo mais forte, lançaram-se ao ataque. A partir daí, quem poderia realmente travar o seu desenfreado galope? “

Estava pois criado o ambiente e lavrado o terreno para o que viria a seguir.

Cheguei a Bissau a 28 de Julho de 1973.Fui enviado para lá por "castigo" em reacção ao requerimento/manifesto que fizera em Abril e entregara à hierarquia militar e espalhara em Aveiro no Congresso da Oposição Democrática!!! Com oficiais de Engenharia (eu era Chefe de Contabilidade da DSFOM/Engenharia) já tinha começado a conspirar em Lisboa!
                                                         ***
O meu companheiro de viagem e de lugar no avião, que então me levou para a Guiné , foi o Capitão Piloto-Aviador Pinto Ferreira.
Ainda que contemporâneos na Academia Militar (1961/64) já não nos víamos há muitos anos. Fixava-me com olhar inquieto. Estava do lado da janela e nunca olhou o céu. Regressava após meses antes, ao seguir atrás do “Fiat” do seu comandante, Ten.Coronel Alves Brito, assistir ao desintegrar do avião em estilhas e chamas. Escapou porque ao ver o reflexo, de algo vindo do solo, guinou instintivamente o seu “Fiat” (avião-parelha) que conduzia. Foi isto que  me contou, acrescentando em desabafo: “vai ser difícil esquecer”!!!

                                                          ***
Na noite do dia seguinte , à minha chegada, reunimo-nos no Agrupamento de Transmissões depois de jantar. Consta do registo das presenças  os seguintes nomes e especialidades dos militares reunidos. Capitães do quadro: Jorge Golias (Eng.Transmissões),Duran Clemente(Administração Militar),Matos Gomes (Comando),Jorge Alves(Eng.FA). Capitão miliciano J. Manuel Barroso (sobrinho de Mário Soares). A reunião moveu-se pela curiosidade em ser lido um documento (exposição/requerimento) já referido e que eu tinha entregue à hierarquia militar ,com 40 folhas de papel selado, e que pelo seu teor de manifesto contestatário (e pelo facto de o ter distribuído em Aveiro, em 8 de Abril, pelos congressistas da Oposição Democrática, onde estive) tinha contribuído para levar o pontapé até Bissau.

Estávamos muito preocupados com a situação nacional e com o uso  dos oficiais do Q.P. (Quadros Permanentes).Tínhamos a noção de que estes estariam a tomar consciência, missão após missão, do logro. Mas era lento e doloroso o processo. Combinámos criar um núcleo. Este que passarei a designar por “núcleo dinamizador” (A . Spínola uns anos mais tarde apelidou-o de “célula soviética” no seu  Portugal sem Rumo) nunca mais se desintegrou e funcionou curiosamente até ao dia da liberdade. Constituiu nossa prioridade editar um documento a distribuir por todos os oficiais das FFAA, no sentido de os sensibilizar, para o que se estava a passar , nos mais diversos aspectos e sectores da vida do país. Distribuímos tarefas. Cada um encarregava-se de uma matéria especifica.  Ficámos, de numa próxima reunião, reflectir sobre a forma de fazer chegar a informação aos Camaradas militares, Oficiais do Q.P., onde quer que se encontrassem, nas Colónias ou na Metrópole. “Como obter os endereços de todos?” era o desafio.

Não foi preciso.

Graças à publicação do celebérrimo Decreto-Lei nº. 353/73 que facultava a “entrada de oficiais do Quadro Especial de Operações no Quadro Permanente através de curso intensivo na Academia Militar” os acontecimentos precipitam-se. A questão era saber aproveitar o facto. Assim nos propusemos como núcleo dinamizador e agora fortemente animados. Não podíamos perder a oportunidade.
A nossa segunda reunião foi toda ocupada pondo a criatividade ao serviço de uma estratégia que efectivamente colocámos em andamento e não mais pararia.

Ainda ninguém conhecia bem qual era o conteúdo do referido diploma. Constava que se aplicava às Armas operacionais de Infantaria, Artilharia e Cavalaria.

Só em meados de Agosto tomámos conhecimento do seu  completo teor. Até aí, bastou-nos adivinhar qual o seu espírito para que recebêssemos aquele brinde de braços abertos.

Há que explorar com sucesso o” tremor de terra “ que tal diploma veio causar sobre os capitães. E assim foi. O núcleo entrou em acção.
Promoveram-se reuniões. Espalhou-se a palavra para os Capitães reunirem na Sala de Jogos do Clube Militar.
Confortou-se a “ convocatória “ com a adesão por solidariedade ( e não só) dos Capitães que mesmo não pertencendo às três Armas atingidas, deviam comparecer. Assim aconteceu a 17 de Agosto de 1973, sábado pelas 16.00.

No espaço de oito dias, efectuaram-se quatro reuniões. As três últimas, realizaram-se no Agrupamento de Transmissões.

·        ( síntese das reuniões em anexo)

Resultou dessas reuniões a decisão de endereçar uma “carta-protesto”  ao Presidente da República, Presidente do Conselho, Ministro da Defesa e Exército, Ministro da Educação e     Secretário de Estado do Exército

Com a data de 28 de Agosto a referida  carta teve as  assinaturas de quarenta e seis Capitães, recolhidas em Bissau e nas guarnições próximas (em 66 possíveis no todo do CTIG), às quais se juntaram ainda as de  quatro subalternos (em estágio) e foram enviadas, por correio registado, para os destinatários a cinco de Setembro.


O então Capitão Otelo Saraiva de Carvalho, pôs o seu serviço de secretariado em marcha para a tarefa de bater a carta à máquina em “ stencil “ e de comunicar aos Capitães em serviço no interior, o seu conteúdo e explicar-lhes a atitude de protesto colectivo, como afirmação frontal do nosso descontentamento.

Ficámos a aguardar a reacção.

O Almeida Coimbra iniciou então o contacto com Hugo dos Santos ( em Lisboa) de quem passamos a obter informação sobre os acontecimentos na Metrópole.

Na sua primeira informação ficamos a saber que toda a actuação prevista em Lisboa era fortemente tocada pela legalidade, pelo menos, aparentemente.
Esta (e todas as informações que iam chegando) foram lidas nas reuniões de Capitães que começaram a realizar-se periodicamente e numa das quais, ainda em Setembro, é eleita a primeira Comissão Coordenadora do Movimento de Capitães na Guiné,constituída pelos Maj. Almeida Coimbra, Cap. Duran Clemente, Cap. Matos Gomes  e Cap. António Caetano ( que mais tarde seria substituído pelo Cap. Sousa Pinto).
O núcleo preparou a reunião. Matos Gomes que tinha vindo a Lisboa trouxera ,no regresso, alguns exemplares do recente livro de Sottomaior Cardia “Para uma Democracia Anticapitalista”. Divulgámos boa parte do seu conteúdo e o acto funcionou como campanha eleitoral. Valeu-nos a eleição de dois de nós (M.Gomes e eu próprio) do referido “núcleo dinamizador” para a aludida comissão.

Entretanto soubemos da reunião de Évora, (9 de Setembro) onde se encontraram mais de 130 oficiais do Q.P. Ficámos mais confortados.

Foi deliberado que se desse conhecimento ao Comandante Militar da existência das reuniões. Achou-se que era melhor que soubesse por nós próprios que nos reuníamos. Formalmente avançamos motivos  profissionais como justificação. Ficou claro que só lhe era transmitido aquilo que se achasse conveniente. E assim aconteceu.

Na primeira reunião e única que tivemos com o então Comandante Militar Brigadeiro Alberto Banazol ( irmão do Ten. Cor. Luís Ataíde Banazol )  este saudou a  atitude e deu-nos a devida autorização para reunirmos na Biblioteca do Quartel-General,instalada fora deste, no Batalhão de Intendência em frente (do qual eu era 2ºComandante) . Assim e  sem querer autorizou-nos a conspirar...contra o sistema.
Mas foi peremptório ao reprovar expressamente a nossa manifestação colectiva. Referiu a nossa carta, enviada às mais altas hierarquias do Estado, censurando o gesto.

Para mostrar aparente solidariedade connosco, foi ao ponto de nos convidar para um jantar volante em sua casa. O que aconteceu com a comparência da esmagadora maioria dos Capitães, então disponíveis em Bissau.

Tal jantar teve um final conturbado pelas intervenções acaloradas, de Otelo e do signatário, não só porque, à evidência de que as “altas esferas” estavam a deixar resvalar a Guiné, para um caso semelhante ao de Goa,Damão e Diu, o Comandante Militar Brigadeiro  Banazol respondia com evasivas e não disfarçava aproveitar-se do gesto de anfitrião e de máximo superior hierárquico ( no Exército) para nos anestesiar e adormecer com a retórica habitual e com a fundamentação oficial do regime.

A partir daí , o Comandante Militar nunca mais teve informações desta Comissão Coordenadora de Bissau, mais por desinteresse seu do que nosso.Não consta que se preocupasse muito com “ os ventos fortes “ que corriam. Talvez não nos tenha levado a sério ou lá no fundo estivesse connosco, como ( até ) suspeitávamos.

Tanto assim é, que no próprio dia 25 de Abril, foi vitima de si próprio. Quando soube dos acontecimentos  continuou “ abraçado ao seu lazer “ na ilha de Bubaque,  não se apressando a retomar o seu posto em Bissau. Atrasou-se  em fazer o que alguns fizeram com boa dose de hipocrisia. Outros, bem mais alérgicos à Revolução, acabaram por apanhar o comboio com todo o vapor que o oportunismo ( e nós ) lhes permitimos. O Brigadeiro Alberto Banazol não quis mostrar que estava do nosso lado e do lado  do seu irmão Ten.Coronel Luís Banazol.
                                                    ***
Aliás curiosamente foi aquele (irmão) que me apresentou este, no último sábado de Dezembro de 1973,a caminho da piscina do Clube Militar. Não me esqueço das palavras então trocadas: “Você é que é o Clemente ? Há cá mais algum ? ”Esta era a senha trazida de Lisboa. A minha resposta foi : “capitão só eu “. ”Então é  você. Trago indicações de Lisboa para lhe falar !!!” Reagindo ao meu esgar, descansou-me: “...não se preocupe, aqui o meu irmão Brigadeiro é um democrata”.
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                                                   ***
As cartas seguiram também para Lisboa, numa segunda via, levadas pelo Cap. Ayala Botto (ajudante de campo do Gen.Spínola)  para as fazer chegar aos destinatários caso os originais se perdessem.
Convirá recordar que a 6 de Agosto de 1973 o Gen.Spinola regressara a Lisboa. Fim de missão, inicio de outros voos. O seu lugar de Governador e de Comando Chefe só seria preenchido em Outubro pelo General Betencourt Rodrigues.

                                                   ***            
Através dos camaradas que gozavam férias na metrópole, ou dos que a esta voltavam por fim de missão (ou pelos que entretanto chegavam em início)  ou ainda através de correspondência, já com linguagem um tanto codificada, as informações iam-se cruzando entre Bissau e Lisboa. O Hugo dos Santos passou a ser o “ Pedro “ e outros heterónimos deram à luz, por precaução, mais tarde justificada.

A conspiração desenvolveu-se no sentido prioritário e fulcral de angariar o maior número possível de “ adeptos para a causa “ e para a libertação.

Aguardavam-se instruções da “coordenadora” de Lisboa.

O trabalho de sensibilização e de informação foi sendo feito com método e sistema. Os resultados iam sendo, a pouco e pouco, muito gratificantes, na medida em que paulatinamente se foi conquistando para o nosso lado a maioria de Oficiais colocados em posições ( de comando ) estratégicas e essenciais para o que “desse e viesse”.

A Marinha aderiu em força. Com a sua tradicional organização ( meticulosa e serena ) dispôs as suas pedras com todo o cuidado e aceitou o repto. Destacaram Oficiais que passaram periodicamente a reunir-se connosco, para troca de informações e análise da situação. Inicialmente os 1ºs Tenentes Marques Pinto e  Pessoa Brandão e mais tarde  Manuel Serrano e Rosado Pinto.

A Força Aérea destacou desde sempre os capitães Jorge Alves e Faria Paulino e depois Sobral Bastos e Albano Pinela (Paraquedista).

Em Outubro tive oportunidade de efectuar uma reunião com quatorze oficiais  pilotos-aviadores do Q.P., acompanhado de Faria Paulino.
Lá estava também o meu companheiro de viagem Lisboa/Bissau.O trauma da bola de fogo do companheiro perdido estaria a transformar-se iluminando as consciências.
Como é sabido as iniciativas da Força Aérea estavam praticamente paralisadas depois de nos primeiros meses de 1973, seis aviões entre Fiat, T-G e DO 27, terem sido abatidos, após a introdução de mísseis terra-ar ( os Strela), na equipagem do PAIGC.
Nesta reunião com os Pilotos-Aviadores, ficámos com a sensação de que quase todos, se não mesmo todos, tinham aderido ao Movimento,ou pelo menos, não lhe eram hostis.

No Exército contavamos com mais aderentes à medida que íamos, progressivamente, com maior segurança, alargando a malha de contactos e de informações e  consolidando as estruturas organizativas  por cada unidade operacional.

Paralelamente um movimento de Oficiais milicianos, foi-nos acompanhando e ia-se consolidando, tendo como principais mentores os Alferes Milicianos Barros Moura, Celso Cruzeiro e o já referido capitão Miliciano José M. Barroso ( reflectindo efectiva e curiosamente  três tendências diferentes ).

Os ânimos confortaram-se ainda mais à medida que da Metrópole iam chegando as notícias da evolução do processo.

A partir de Dezembro começa-se a ver mais claro qual o sentido do Movimento, após as reuniões que na Metrópole apontavam para a mais que provável decisão de “pegar em armas” para derrubar a situação. A “profecia” que  Jorge Golias lançara como repto em Agosto(numa das primeiras reuniões)...”quem sabe se isto só se resolve pela via armada!??”estava mais perto de se enxergar.
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Também na Guiné foram conhecidas as três hipóteses, colocadas para reflexão (decisão) aos Capitães   na reunião de Óbidos em 24 de Nov.73, que eu próprio trouxera após a minha deslocação a Portugal em Nov..

a. -Conquista do poder para com uma Junta Militar criar no país as                   condições que possibilitem uma verdadeira expressão nacional;

 b. -Dar oportunidade ao governo de se legitimar perante a Nação através de eleições livres, devidamente fiscalizadas pelo Exército, precedidas de um referendo sobre a política ultramarina;

 c.-Utilizar reivindicações exclusivamente militares como forma de alcançar o prestigio do Exército e de pressão sobre o Governo.

Também soubemos a seu tempo do resultado do escrutínio.
Nele nos concentrámos para o correspondente apoio como retaguarda e reforço.

A decisão de que  na Guiné  também optaríamos pela tomada de poder pelas armas já estava tomada há muito; daríamos no entanto a possibilidade  à hierarquia militar   no Comando Territorial Independente da Guiné /CTIG para se pronunciar. Quem não estivesse connosco seria devolvido a Lisboa. No caso de insucesso das operações do Movimento em Portugal a nossa estratégia era a tomada de poder na mesma. Teríamos esse trunfo para jogar na defesa das nossas convicções. Por outras palavras, constituir-nos-íamos numa grande pedra no sapato e dor de cabeça para o Governo Português, com uma Colónia sublevada. Para isso, tínhamos de ter o  completo domínio do comando em todos os Sectores e Ramos das n/ FFAA, instaladas no teatro de operações da Guiné. Iríamos ter.

No final do ano de 1973 só nos faltava o Regimento de Paraquedistas que virá a aderir em Fevereiro de 74, após o conhecimento do conteúdo do livro “Portugal e o Futuro” do Gen. Spínola.
 O Comandante do Batalhão de Paraquedistas, Major Mensurado, manda formar o Regimento. Faz uma palestra. Adverte os seus homens da eventual necessidade de terem de cometer uma acção e indisciplina a “Bem da Nação”. Quem não estiver de acordo deve dar um passo em frente.

Ninguém deu. Todos concordavam. Era a vontade dos Povos a mandar!

Mesmo assim, veio a Lisboa, com um nosso delegado do Movimento, perguntar pessoalmente ao General Spínola se “avalizava” o seu procedimento.

Regressou aliviado e mais feliz.

E nós também, porque era uma unidade indispensável.

Antes, porém, tivemos de “travar” a ansiedade do Ten. Coronel Luís Ataíde Banazol ( que aqui e hoje sempre prestarei homenagem pela sua atitude na reunião de Cascais em 24 de Nov. 73 e de Óbidos, em Dez. ) que ao chegar à Guiné com o seu Batalhão – que estacionou uns dias no Cumeré – antes de chegar ao seu destino: Bambadinca, queria tornar o poder ocupando o Palácio do Governo da Colónia.

Após aturadas reuniões connosco “ os jovens e pálidos Capitães da Guiné “, como ele se refere num dos seus livros, conseguimos dissuadi-lo. Sobre isso o Jorge Golias tem muito que contar.
Tive oportunidade, mais tarde, de lhe prometer que seria dos primeiros a saber quando ganhássemos.

                                             * * *                                                    
E soube. No dia 25 de Abril, pelas nove horas – o meu subalterno comandante de Destacamento de Intendência (Alferes Mota), sediado em Bambadinca( com quem tinha ligação telefónica directa) foi dos primeiros a quem dei a noticia para a retransmitir ao Ten.Cor.Luis Banazol : HOUVE REVOLUÇÃO: ganhámos.
                                              * * *                                                 
Voltando aos  primeiros meses do ano é de assinalar o seguinte e de forma resumida:estreitaram-se os contactos com Lisboa.Em Fevereiro estive pessoalmente com V. Lourenço na Trafaria, após ter vindo a Lisboa para receber informações mais actualizadas. Tive oportunidade de referir que o pessoal na Guiné estava com acentuado nervosismo. Vasco Lourenço apelou à serenidade e afiançou que a “acção” se daria antes do 10 de Junho.Foi esse o recado que trouxe então.
Em 4 de Março avisamos Lisboa ( Hugo dos Santos) de que os Majores Casanova Ferreira e Manuel Monje regressavam à Metrópole no dia seguinte e estavam cheios de entusiasmo. Denotavam extrema vontade de intervir. Haveria que dar o melhor enquadramento à sua dinâmica.Otelo distraiu-se do meu aviso e ocorreu o 16 de Março…
Em finais de Dezembro anterior estes oficiais, com mais cinco oficiais superiores, manifestam também adesão ao Movimento. Assinaram na minha presença uma carta (por mim redigida) enviada ao General Spinola confortando a sua decisão e colocando-se ao seu dispor na mudança.

Marcelo Caetano continuava nas suas conversas em família a tentar convencer-nos  de que se podia fazer turismo nas nossas “provincias ultramarinas”,mesmo na Guiné!!!
O semanário “Expresso” publica excertos duma dessas conversas em família lado a lado com retalhos do livro “Portugal e o Futuro” do Gen.Spínola.

No principio de Abril uma Delegação de Bissau esteve com o Movimento em Lisboa e recebeu as últimas informações.

Na noite de 24 para 25 de Abril aguardámos no Centro de Comunicações do Quartel General de Bissau o contacto telefónico programado. Não chegou. Uma das poucas acções de retaliação da dita “Legião Portuguesa” foi o corte do cabo telefónico na R.de S.Marçal que servia a Guiné.No meio da nossa ansiedade lá fomos sabendo do que se passava através das agências noticiosas .Pouco a pouco as  teleimpressoras foram ditando os acontecimentos e noticiando a Alvorada de Abril. Exultamos. Pelas oito horas da manhã foram restabelecidos os contactos telefónicos.

As delegações do MFA constituidas por um capitão,um representante dos sargentos e praças tomaram o comando de todas as guarnições militares afastando os comandantes que não aderiram à nova situação.Estes embarcaram para Lisboa de Avião poucos dias depois.

Propriamente no dia 25 de Abril,e em Bissau,  quer o Comando Chefe quer o Comando Militar, não tomaram posição de adesão ao Movimento. Com as unidades em alerta, prontas a avançar, tais como: Batalhão de Comandos, Batalhão de Paraquedistas, Batalhão de Intendência, Grupo de Artilharia e o Agrupamento de Transmissões e de Engenharia e outras, avançou a Companhia de Polícia Militar, que tomou pacificamente as instalações do Comando Chefe. Uma delegação do MFA interpelou o Comando Chefe Gen. Betencourt Rodrigues, que entretanto reunira todos os seus oficiais e aos quais se dirigiu “ vencido mas não convencido “. Ficou à nossa disposição e com outros oficiais que foram seleccionados como não tendo aderido ao nosso espírito, foram  “ convidados “  a seguir, uns dias depois,por avião para Lisboa.

O MFA colocou o Almirante Almeida Brandão como Comandante Chefe ( Interino ) e o Major Eng.Tm Mateus da Silva, como representante da J.S. Nacional, até 7 de Maio, quando chegou o T.C. Carlos Fabião.Este graduado em Brigadeiro passou a ocupar o topo da hierarquia militar e governativa  na ainda Colónia.

Tinha acabado a conspiração: outros desafios nos foram lançados. Sobretudo a luta travada com o General Spínola que desde o 25 da Abril e até 28 de Setembro quis abafar o MFA e impor-se como novo “ditador”.Foram as movimentações e pressão do MFA [de Bissau] que contribuíram para um processo pacifico de reconhecimento da independência da Republica da Guiné-Bissau e de transferência de poderes em dois meses.

Nunca nos passou pela cabeça que no curto espaço de menos de seis meses as NT(nossas tropas) deixassem definitivamente a Guiné-Bissau, como aconteceria a 15 de Outubro de 1974.

(*)Num segundo artigo espero narrar alguns aspectos mais significativos do se passou entre 25 de Abril e o regresso definitivo a Portugal.

                                                                          Manuel Duran Clemente,Coronel reformado.





Anexo/  Síntese das reuniões de Bissau

1ª Reunião
Efectuada em 17/8/73,sábado pelas 16h00, no Clube Militar de Oficiais com 23 capitães

1.  Foi lido o Decreto-Lei  nº  353/73 e as alterações que motivaram nova redacção dos          artigos 3º e  6º .
2.       Constatou-se que com a nova redacção, relativamente aos capitães do Quadro Permanente das armas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia, a sua ordem na escala de antiguidade era alterada com a introdução de Oficiais do Quadro Complemento.
3.       Constatou-se ainda ,por outro lado, que um curso superior(Academia Militar)de quatro anos era substituído por um curso de dois semestres. Esta atitude do Governo foi considerada como mais uma das que por sistema vinham desprestigiando os quadros permanentes das FFAA.
4.       Decidiu-se que fosse escrita uma carta protesto ao Presidente da República, ao Presidente do Conselho, ao Ministro da Defesa e Exército, ao Ministro da Educação Nacional e ao Secretário de Estado do Exército.
A  inclusão do Ministro da Educação, nos destinatários, justificava-se pelo facto já referido: curso superior igual a curso intensivo, tipo “curso por correspondência” como alguém referiu.
5.       Foi aceite que uma comissão de oficiais apresentasse até às 14h00 do dia seguinte uma          minuta da carta. Ofereceram-se para escrever essa minuta o recentemente promovido a Major Almeida Coimbra e os Capitães Joaquim Branco, Duran Clemente e Matos Gomes.
6.       Os oficiais presentes que não eram das armas afectadas manifestaram a razão da sua presença. ”Estavam ali por solidariedade e porque achavam que o cerne da questão não era apenas de natureza corporativa. Se de facto o Decreto-Lei  representava uma machadada no prestigio dos oficiais oriundos da Academia pior ainda era a cegueira política de quem governando o país “orgulhosamente sós” não dava as soluções aos problemas quer na Metrópole quer no Ultramar”. Até quando estaríamos dispostos a ser enganados.
7.       Foi considerado urgente o envio da carta cujo conteúdo deveria ser ,apesar de tudo, subtil.
8.       Alguns mais legalistas e receosos apelaram para que se criasse um grupo de advogados por forma a garantir-se cobertura jurídica das atitudes de indisciplina que forçosamente ,face ao RDM, se iriam tomar.
9.       Foi ainda aventada a hipótese de  se estender a contestação aos oficiais superiores que o desejassem fazer. Concluiu-se pela negativa pelo facto e se constatar que, após as alterações no Decreto, os majores e tenentes-coronéis se teriam afastado e desinteressado do protesto.

2ª Reunião

Efectuada em 24/8/73,sábado pelas  14H00 no Agrupamento de Transmissões


1.   Foi lida por um membro da mesa o projecto da carta.
2.       Após algumas rectificações o conteúdo da carta foi considerado pouco acutilante e muito               suave. Alguns chamaram-lhe “carta de amor”. Venceu contudo o consenso. Considerou-se que o mais  importante era o efeito que iria ter a manifestação colectiva.
3.       Efectivamente sendo vedada a manifestação, para além do que era permitido a cada um, teve-se consciência do efeito que iria ter um documento assinado por mais de meia centena de capitães em guerra.

3ª Reunião

Efectuada no mesmo dia, sábado pelas 18H30 no mesmo Agrupamento

 

1.  Foi discutida a questão do risco da atitude da “carta colectiva” quer pelos directamente atingidos pela legislação em causa quer pelos outros que se haviam solidarizado.

2.   Voltou-se a colocar a questão do apoio jurídico.
4.       Acertaram-se aspectos práticos e administrativos. O Capitão Otelo Saraiva de Carvalho ofereceu os seus serviços de secretariado para “escrever e imprimir” a “stencil” a carta. Tínhamos de obter cinco exemplares iguais e assinados.
5.       Por outro lado ter-se-iam que utilizar os meios mais expeditos para obter o maior numero possível de assinaturas dos capitães. Fizeram-se conjecturas para a angariação de assinaturas no mato.
6.       Ficou assente que outras atitudes se teriam que tomar a partir de então: relativamente a possíveis reacções por parte dos destinatários e relativamente ao futuro .
7.       Decidiu-se dar conhecimento do envio da carta ao Comandante Militar.
8.       Por alguns foi novamente colocada a questão da carta não ser objectiva na reivindicação. Um dos oficiais presentes declarou não assinar.
9.       Outro dos presentes declarou não assinar por não acreditar nos resultados da atitude.
10.   Voltou-se à questão da participação dos oficiais superiores. Decidiu-se que a seu tempo poderiam ser úteis se quisessem sê-lo.
11.   No fim da reunião sobressaiu a intervenção de um capitão que avisou para a hipótese ou eventualidade de terem as FFAA necessidade de pegar em armas e actuarem  em conformidade com o mal estar existente não só na sociedade militar como na civil. Claro que houve numa certa minoria alguma apreensão face a tal cenário. (A intervenção foi do capitão Jorge Golias). 

4ª Reunião

Efectuada no dia 28/8/73,quarta-feira pelas 21H00 no Agrupamento de Transmissões


1.  Foram obtidas as assinaturas da maior parte dos capitães (destacando delas alguns dos mas conhecidos após o 25 de Abril(*): Otelo S.Carvalho, Salgueiro    Maia, D.Clemente, M.Monge, Sales Golias, Matos Gomes, Sousa Pinto,Almeida Coimbra,Vagos, …)e ainda de seis subalternos em estágio.

2.            Foi decidido que se iriam realizar reuniões periódicas e eleger uma comissão que coordenasse as iniciativas em função do que se fosse deliberando.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pés no Sofá: CARTA ABERTA A UM DUX

por Pasimar

É muito triste a morte de jovens promissores. Portugal bem precisaria deles. Que descansem em paz. As responsabilidades deverão ser apuradas mas, espero, que não se torne "uma caça às bruxas" e que não recaia somente nos mais fracos e fragilizados; que se apure também responsabilidades a montante, e não somente a jusante: foram as políticas desenvolvidas desde há décadas em Portugal que promoveram este tipo de demagogias culturais, que neste caso findou tragicamente. É voz corrente: "dantes o filho era repreendido em casa por trazer más notas; agora, os pais vão à escola repreender o professor". Isto é só um exemplo, entre milhares e milhares de situações que deturparam completamente os valores duma sociedade. Entretanto, não se fala doutras coisas também importantes há demasiados dias, como o roubo dos salários, dos pensionistas, o desemprego dos jovens, a continuação do enriquecimento ilícito, etc., etc., etc. É que..., há que manipular o "rebanho", pondo-os a falar repetidamente sobre o que não põe em causa o poleiro dos burlões e vigaristas. Oh povo que lavas no rio..., ACORDA!



Pés no Sofá: CARTA ABERTA A UM DUX: Dux: Ando aqui com esta merda entalada há já algum tempo. A ouvir as diferentes versões, a pensar nas dúvidas e a pôr-me no lugar das...

sábado, 25 de janeiro de 2014

Do Dever da Diferença ao Direito à Igualdade

Cravo

Desde a Revolução Francesa de 1789 que três palavras assumiram um elevado grau de protagonismo político: Liberdade, Fraternidade, Igualdade. Não por terem “nascido” com a Revolução – sempre foram palavras de relevante significado humano e social. Mas porque, transformadas em bandeira de um novo paradigma de organização social e política, ganharam um peso político consistente e generalizado. São palavras com Poder. Tanto que nenhum Poder prescinde de as fazer suas.

Mas terão elas o mesmo significado para todos os membros de uma comunidade? Para todas as comunidades?

Da Liberdade podemos dizer que é um Valor tão intrinsecamente humano que há milénios que por ela os humanos se guerreiam, se matam, erguem e destroem impérios. Hoje, o Poder imperial existente, os Estados Unidos da América, não tem dúvidas em afirmá-lo: foi em nome da Liberdade que conquistámos a nossa Independência, é em seu nome que assumimos o “transcendente propósito” de a defender intransigentemente, e de a promover por todo o Mundo.

Porém, clarificam este “transcendente propósito” como todos os impérios fizeram ao longo da História, acrescentando um “imprescindível requisito”: se, e só se, os interesses dos EUA e das suas corporações (e subalternamente dos seus seguidores) prevalecerem sempre.

O Poder apropria-se da Palavra, restringindo-lhe o Poder, por alienação do Valor e preponderância do Interesse.

Por cá, esta apropriação está consubstanciada, de uma forma pequenina e grotesca, no auto-designado “arco do poder” (ou “arco da governação”, ou “arco da governabilidade”): somos todos livres (e democratas), desde que sejamos nós a mandar!

Da Fraternidade podemos dizer que é o Sentimento que nos faz olharmo-nos como Seres Humanos, seres da mesma espécie. No entanto, milénios de História provam-nos que o Poder usa duas medidas quando analisa, ou valoriza, acções praticadas por si ou por outrem.

Um caso paradigmático é o do Muro: para o Império, o Muro de Berlim era o Muro da Vergonha, e o seu derrube foi uma “Vitória da Humanidade”; para o mesmo Império, justifica-se plenamente a sua participação financeira, técnica e política, na construção do Muro da Palestina, um Muro mais alto, mais largo, mais extenso, excluindo um Povo dentro da sua própria terra.

O Poder apropria-se da Palavra, mudando-lhe o significado: fraternos somos nós, eles são terroristas.

Por cá, a alteração de significado é mesquinha e rasteira: a Fraternidade deixou de ser um Sentimento humano para ser um imposto (Contribuição Extraordinária de “Solidariedade” – CE”S”), aplicado apenas a alguns (os pensionistas e os reformados), “proibindo-se” mesmo que outros (os juízes e os diplomatas) possam exercer essa “fraterna solidariedade”!

Da Igualdade podemos dizer que é um anseio primordial dos Seres Humanos, pois cada Eu só encontra a sua plenitude num Nós em que se sinta e situe individualmente pleno. Dito de outra forma, um Eu diferente num Nós onde é reconhecido como igual.

Mas esta Igualdade na Diferença – ou o indivíduo reconhecido como diferentemente igual -, impõe ao Poder níveis da sua organização e do seu exercício de tal modo exigentes, que o Poder usurpa a Palavra, melhor, as Palavras, “domesticando-as” pela Lei ou, quando necessário, subjugando-as pela Força.

De facto, para o Poder, a massificação da Igualdade torna todos os Seres Humanos iguais num Nós desmesurado, onde o Eu é um proscrito: apenas o Eu deficiente e o Eu minoritário (étnico, religioso, cultural,…) são reconhecidos, melhor, tolerados como diferentes e, por isso, devidamente enquadrados, limitados e delimitados, pela Lei e/ou pela Força.

Um Nós assim construído é um Nós pacífico, dócil, obediente. Um Nós acrítico e acéfalo, mas definitivamente igual. Um Nós que o Poder exibe, ufano (“O Povo português é o melhor povo do mundo!”), como “um magnífico resultado” da sua prática do reclamado “Direito à Igualdade”.

Nada mais igual seria possível. Mas este Nós não é constituído e construído por Seres Humanos: é, tão só, um conjunto de “objectos”, de “coisas”, que se limitam – são limitados! - a existir enquanto podem produzir e consumir algo, e que atingem o estado de “descartáveis” quando essa possibilidade se esgota. Não há Eus neste Nós!

É, assim, fácil ao Poder dar resposta a quem reivindica o Direito à Igualdade.

Mas não é esta a Igualdade por que lutam, há milénios, os Seres Humanos. A verdadeira e humana Igualdade é aquela em que o Eu se afirme Inteiro, Fraterno e Livre, dentro de um Nós também ele Inteiro, Fraterno e Livre.

Mais do que um Direito, a Igualdade é um Dever. O Dever de um Nós Humano.

Que só será possível se cada um, individualmente, cumprir o Dever de Ser Diferente. O Dever de um Eu Humano.

É a partir do cumprimento deste Dever de Ser Diferente que o Eu se reconhece como Humano e, simultaneamente, reconhece a Humanidade de outros Eus, e é reconhecido por eles, dando lugar à construção do Nós Humano.

Liberdade, Fraternidade, Igualdade, são Valores Humanos, reivindicados por um Eu Humano e um Nós Humano. Diferentes Eus e diferentes Nós poderão ter (têm!), diversas formas, diversos caminhos, para construir esses Valores. Mas enquanto forem reconhecidos como Valores, permitirão que Eus diferentes e Nós diferentes permaneçam Humanos.

Porém, quando os Valores cedem o lugar a Interesses, o Poder apropria-se, usurpa, as Palavras, “coisifica-as” e, ao fazê-lo, “coisifica” os Seres Humanos.

Na morte de Mandela muitos criticaram a hipocrisia e o cinismo de muitos representantes do Poder. Com razão, sem margem para dúvidas. Todavia, é redutor ficarmos por aí: o Poder que quer manter a “coisificação” da esmagadora maioria dos Seres Humanos – seja o Poder imperial, seja um qualquer Poder subalterno -, sabe que tem que se apropriar, em todas as circunstâncias, do Poder das Palavras (os Valores), para que a Palavra do Poder (os Interesses) prevaleça sempre.

Deixar Mandela depositário do Poder das Palavras – Liberdade, Fraternidade, Igualdade -, seria um erro crasso que o Poder não cometeu: mais do que cinismo e hipocrisia, assistimos a uma feroz usurpação do Poder das Palavras, deixando-as à mercê dos Interesses.

É urgente percebermos que temos que ser Diferentes se queremos ser Iguais. Só assim poderemos afirmar, Inteiros, Fraternos e Livres, que aquelas Palavras são as Nossas Palavras, as Palavras da Nossa Humanidade. E que não abdicamos delas!

O PANTEÃO NACIONAL PARA SALGUEIRO MAIA É O CORAÇÃO DO POVO E A HISTÓRIA.


Salgueiro Maia, como um grande Português, tem todo o merecimento para ir para o panteão Nacional, todavia  considero este momento despropositado,  para tratar deste grande assunto, até porque o sim dado pelo PSD e pior pelo CDS seria hipócrita; o não seria vexatório, num ou noutro caso, considero que a memória do Salgueiro não se pode dar a estas hipóteses que a podem  desonrar, embora seja legitimo que um dia ele vá repousar no panteão para imortalizar o 25 de Abril, mas nunca com o sim desta maioria governativa do 24,5 de Abril, a  caminho do 24 de Abril. 

Esta maioria PSD, CDS não tem nenhuma dignidade para se pronunciar, de nenhum modo, sobre um símbolo de Abril. Eles representam o 24 de Abril,e, por isto, não se pode confundir o nosso povo, o que faz parte da estratégia dessa gente para  ganharem as eleições em 2015, e destruírem completamente Portugal até 2020,  favorecendo os seus amigos com  os fundos europeus 

Julgo que um memorial onde Salgueiro Maia foi grande e herói na rua do arsenal/ praça do município  seria mais digno, imortalizando o grande acto de coragem ao enfrentar os Carros de Combate de cavalaria 7. Memorial com ele o ten Assunção,o Alf Sotto Maior, o cabo municiador e o brigadeiro.  Este será o grande momento daquele 25 de Abril.

Considero   esta aspiração  justa, mas que nestas circunstancias  pode afrontar a memória do nosso querido camarada Salgueiro.

Penso que devemos agir na defesa da memória do Salgueiro, do 25 de Abril,do Povo Português e de Portugal, evitando que o 24 de Abril tenha uma qualquer palavra sobre o 25 de Abril

 Esta maioria PSD, CDS desonra, afronta a  memória do Salgueiro Maia. Estão a desagregar todos os direitos de cidadania conquistados em Abril: emprego,  educação,  saúde, segurança social, dignidade humana.

andrade da silva

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Conferência de Imprensa - Coronel Manuel Cracel

Aqui fica o documento que retrata a declaração à imprensa efectuada pelo Coronel Manuel Cracel, Presidente do Conselho Nacional da AOFA, por ocasião da Conferência de Imprensa da AOFA de 23 de Janeiro de 2014, bem como as imagens da leitura do referido documento!

http://www.aofa.pt/rimp/AOFA_Conf_Imprensa_2014JAN23.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=MccpivKUdks


Conferência de Imprensa - Almirante Castanho Paes

Aqui fica o documento que retrata a reflexão efectuada pelo Almirante Castanho Paes, Presidente da Assembleia Geral da AOFA, por ocasião da Conferência de Imprensa da AOFA de 23 de Janeiro de 2014, bem como as imagens da leitura do referido documento!

http://www.aofa.pt/rimp/AOFA_Conf_Imprensa_ALM_Castanho_Paes_2014JAN23.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=RxdO1XCIohQ&feature=youtu.be



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

No Portal da CGA já se encontra disponível Declaração do IRS de 2013. No mesmo portal consta o seguinte aviso quanto a alteração da data de pagamento das pensões da CGA a partir de Abril 2014: No portal da ADSE também já se encontra a respectiva declaração para IRS 2013. No da ADM ainda nada consta. A J Nunes da Silva