Bem-Vindo/a ao Blogue da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA). Este espaço está aberto a todos os Oficiais da Marinha, Exército e Força Aérea, constituindo-se como mais um canal privilegiado de publicação e consulta de documentos, troca de ideias e partilha de informação. Em prol das Forças Armadas Portuguesas, da Condição Militar e da Soberania Nacional!
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Consequências da Crise na Grécia
domingo, 8 de dezembro de 2013
Paulo Morais no Parlamento
Intervenção de Paulo Teixeira de Morais, Professor Auxiliar na Universidade Lusófona do Porto, Director do Instituto de Estudos Eleitorais da mesma Universidade e Vice-Presidente da TIAC - Transparência e Integridade, Associação Cívica, no XV ENCONTRO PÚBLICO PASC - REGIME DE INCOMPATIBILIDADES DOS DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, realizado no dia 29 de Novembro de 2013, na Sala do Senado da Assembleia da República.
O VETERANO DA GUERRA DE ÁFRICA.
Todavia está lá tudo, até o Stresse Pós Traumático.
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Cancioneiro do Niassa:
http://www.youtube.com/watch?v=J4yHrvp98Ro
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Precedente? Não, Consequência!
No dia 21 de Novembro de 2013, diversas Forças de Segurança deram corpo a uma manifestação convocada pelos respectivos Sindicatos para, frente à Assembleia da República, expressarem a sua indignação pelo tratamento a que vêm sendo sujeitas pelo governo, num protesto que congregou vários milhares de pessoas.
No final dessa manifestação, homens e mulheres ali presentes ultrapassaram as barreiras metálicas e subiram a escadaria fronteira ao edifício da Assembleia da República, num acto que, indo para além das palavras, afirmava claramente o seu nível de indignação.
Este acto foi condenado por muitos comentadores, jornalistas, políticos e, com especial ênfase, pelo governo. Neste caso, são relevantes as seguintes afirmações:
. Ministro da Administração Interna: um acto “absolutamente inaceitável”. “Primeiro porque as regras de segurança são para cumprir. Depois porque quem tem por missão fazê-las respeitar não pode dar o exemplo de as violar”. E, sendo “especialmente graves”, “tinha que haver consequências a tirar”. “Num Estado de Direito”, há regras que devem ser observadas e limites que não podem ser ultrapassados”, garantindo que tais acontecimentos seriam uma “excepção” e que “não voltarão a repetir-se”. Acrescentou ainda “Isto é um requisito essencial não apenas da defesa do Estado de Direito, mas também da defesa da imagem de prestígio e de credibilidade dos agentes e das forças de segurança”.
. Primeiro-ministro: “O que se passou não é um bom indicador da própria autoridade das forças de segurança”. O protesto “não deveria ter ficado ensombrado pelo facto de manifestantes que pertencem a forças de segurança terem quebrado as regras que, enquanto estão em funções, devem fazer respeitar”. Por isso, “o governo e as próprias polícias devem tirar consequências do que se passou, de modo a que não haja um enfraquecimento das próprias forças de segurança no cumprimento do seu dever”.
. Porta-voz do PSD: “Todos nós temos consciência de que existem organizações que têm o especial dever de exemplo na sua actuação”.
. Líder da bancada do CDS/PP: “Num Estado de direito democrático [estes acontecimentos] não podem voltar a repetir-se”. “Estes actos são graves e não se devem repetir”.
Podemos concluir que estas afirmações, entre outras de semelhante teor, classificam aqueles incidentes como um “precedente grave”, que não pode “voltar a repetir-se”.
Mas, será efectivamente “um precedente”?
Todas aquelas afirmações chamam em seu favor “o Estado de Direito” e “o especial dever de exemplo na sua actuação” de organizações e instituições que integram esse Estado de Direito.
Poderemos dizer, sem margem para dúvidas, que essas organizações e instituições têm feito prática efectiva desse “dever de exemplo na sua actuação”? Vejamos, numa breve análise, o que nos diz a prática do governo:
1. Concorreu às eleições com um específico programa. Porém, logo que tomou posse, iniciou o cumprimento de um outro programa, oposto ao apresentado a sufrágio. Dado que as eleições foram livres e democráticas, permitindo assim que qualquer partido apresentasse, sem quaisquer entraves, o programa que desejasse, este acto só pode ser considerado como ferido de desonestidade política. Não é um exemplo para ninguém de boa-fé.
2. Numa das primeiras audições na Assembleia da República, o governo afirmou, peremptoriamente, ter constatado “um desvio colossal” nas contas do Estado. Teria sido actuação exemplar o governo declarar-se “impossibilitado de cumprir o programa com que tinha concorrido às eleições”, e assumir-se como “governo de gestão corrente” até que uma auditoria independente e urgente analisasse as contas do Estado para: a) confirmar ou infirmar tal “desvio colossal”; b) em caso de confirmação: identificar os responsáveis, e seguir os adequados procedimentos jurídicos; permitir ao governo reapreciar o seu programa e avaliar da viabilidade de o cumprir ou, em caso negativo, solicitar novas eleições de modo que o País pudesse ser informado, com transparência, da real situação que teria que enfrentar, e dos responsáveis por ela. O governo não só não deu este exemplo, como procedeu de tal modo que só há lugar a uma interpretação: ter-lhe-ia “caído nas mãos” um “fundamento” que, “devidamente explorado”, sustentaria e orientaria toda a acção governativa – afinal, a que sempre desejara! -, culpabilizando sistematicamente (ainda hoje!) o anterior governo, numa atitude, e prática, da desonestidade política já referida.
3. Toda a acção governativa, desde a tomada de posse do governo, tem-se pautado pelos seguintes “exemplos: a) um constante apelo à divisão entre os portugueses, evidenciando assumida hipocrisia política, pois o seu objectivo não é governar “pelo Povo e para o Povo” – objectivos fundacionais da Democracia e do Estado de Direito! -, mas sim governar contra o Povo; b) a subserviência com que impôs o cumprimento de compromissos com os poderosos (internos e externos), quebrando com absoluto desdém os compromissos (de décadas!) assumidos com o Povo, particularmente os mais fracos e desfavorecidos, revelando uma clara cobardia política; c) a persistência com que vem roubando, e quer continuar a roubar, os pensionistas e reformados, considerados como descartáveis, num acto que constitui um verdadeiro crime político.
4. O conjunto nada edificante de todos estes actos, que têm vindo a dar forma e conteúdo substantivos à acção governativa determinam uma conclusão firme: este governo é ilegítimo!
Mas para além do governo, importa analisar outra instituição cuja acção tem que ser, num Estado de Direito democrático, crucial como fonte e exemplo de Cidadania e do exercício Ético do Poder – a Presidência da República. Vejamos então:
A. Aquando da sua reeleição, o discurso de vitória foi um discurso rancoroso, vingativo e discriminatório: não seria o Presidente de todos os portugueses.
B. A opção, legal, que fez por ser remunerado pelas suas pensões em detrimento do vencimento como Presidente da República, significa duas coisas: considera a sua pessoa acima da Função Presidencial, subalternizando o poder institucional desta; desrespeita, em absoluto, um Povo inteiro.
C. Do discurso proferido na Assembleia da República, a 25 de Abril de 2013, ressalta que apenas reconhece como “seu povo” aqueles que, mesmo sendo sistematicamente violentados, desprezados, ofendidos, roubados, humilhados, se mantêm submissos e obedientes. Todos aqueles que clamam a sua indignação perante as malfeitorias a que o governo os tem vindo a agredir, não são merecedores da sua pessoa.
D. Mais recentemente, num apelo à “serenidade”, garantiu que devíamos essa “serenidade” aos “credores que têm os olhos postos em nós”. É difícil imaginar maior subserviência!
Poderiam ser apenas tristíssimos exemplos da actuação de um “presidente” da República. Vão, no entanto, muito para além disso: são expressão concreta duma cumplicidade assumida com o governo e a sua prática governativa.
Ambos, “presidente” e governo, têm levado até ao limite da resistência o desprezo para com o Povo. Todos os exemplos da acção de ambos conduzem à mesma conclusão: não estamos confrontados com diferentes opções quanto aos caminhos a percorrer para construirmos um Futuro em que, como Comunidade, nos possamos reconhecer Dignos, Livres e Solidários; estamos, sim, perante a oposição entre o caminho de máximo bem-estar para uns poucos poderosos (cada vez mais poderosos) e o do empobrecimento, miséria e desespero da imensa maioria do Povo.
São estes os tristes, feios, execráveis, exemplos da forma como duas instituições, fulcrais num Estado de Direito democrático, dão do cumprimento de “regras que devem ser observadas e limites que não podem ser ultrapassados”, esquecendo-se – melhor, lembrando-se de se esquecerem! – que é nelas que reside, e delas tem que emanar esse “requisito essencial não apenas da defesa do Estado de Direito, mas também da defesa da imagem de prestígio e de credibilidade” (que ambos, “presidente” e governo, já não têm! ).
A subida da escadaria da Assembleia da República por parte de manifestantes das forças de segurança terá sido um acto “especialmente grave”? Eventualmente.
Mas Não constitui um Precedente! Não! É uma Consequência da inquestionável ilegitimidade com que o governo e o “presidente” da República exercem as suas funções, criando um colossal fosso de desconfiança, com ambos de um lado, e as restantes instituições nacionais e a Comunidade como um todo do outro.
E esta Consequência, e outras que porventura venham a acontecer, por mais graves, até dramáticas, que possam ser, são da total responsabilidade deste governo e deste “presidente”!
sábado, 30 de novembro de 2013
AS MEDIDAS QUE VÊM PENALIZANDO OS MILITARES
Chefes dos Gabinetes de Suas Excelências os:
• Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas
• Chefe do Estado-Maior da Armada
• Chefe do Estado-Maior do Exército
• Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
FELICITAÇÕES (Artigo Jornal Público)
As minhas calorosas felicitações pelo seu artigo editado pelo Público que é revelador do seu elevado sentido de serviço à causa pública da nossa Pátria. As suas afirmações ponderadas e com alguma ironia levam-nos à reflexão cada vez mais exígua e afastada dos portugueses e militares.
Devíamos estar de luto pela humilhação e falta de ética de quem nos tem governado. Estamos pela nossa passividade a comprometer a nossa própria honra. Estamos a ser esmagados pela austeridade que nos conduz ao empobrecimento, tendo como orientação programática uma agenda ideológica neoliberal criando a convicção que não havia alternativa.
O País não se dirige com arrogância ou mistificação e “actos de dissimulação”. A principal característica da acção política tem sido a falta de adesão à realidade evidenciando desorientação traduzida por intervenções contraditórias, com radicalização e dramatização do discurso, o que provoca incerteza e potencia a conflitualidade. Coexiste a perigosa combinação da incompetência e “revanchismo”! Descredibiliza as Instituições e a democracia.
A destruição da economia agravou a recessão que conduziu à inaceitável degradação social com trágico nível de desemprego. Sem confiança não haverá recuperação do investimento. O poder político (sem poder) não tem capacidade de decidir os destinos do País e os portugueses têm dificuldade em decidir sobre o seu próprio destino!
Não deixa de ser muito preocupante os políticos continuarem a não saber para que querem as nossas FA nem terem a noção da avaliação e implicações do actual ambiente estratégico. Vamos necessitar de FA mais exigentes e com melhores capacidades (no curto prazo) e só sabem falar em "cortes cegos" (partilhar de capacidades que não devemos) que estão a afectar a nossa estrutura, capacidade operacional e prontidão, que poderá ser de difícil reposição para intervir nos termos em que os mesmos políticos o determinarem no âmbito das exigências internacionais.
Afectando a condição militar, essência da organização, existe o risco das FA ficarem descaracterizadas e desarticuladas sem capacidade para cumprir as missões. Continua a merecer maior reflexão por parte do MDN a frase do Presidente da República, Cavaco Silva (Comandante Supremo das FA): “Considero da maior relevância o reforço da coesão e do prestígio da Instituição militar, objectivo que, em permanência, deve merecer atenção prioritária de todos os responsáveis políticos”. É evidente a falta de racionalidade que preside à forma como os líderes políticos têm conduzido processos estrategicamente decisivos.
Os efeitos colaterais da crise não deviam ser desvalorizados, pois vão provocar modificações da sociedade. O Governo não tem condições de alargar o seu espaço político nem a oposição para que seja possível o consenso necessário e urgente. Impõe-se uma reforma do sistema político que está bloqueado e em riso de implosão.
Os órgãos de soberania e agentes políticos devem tomar consciência, que a pobreza e o desemprego provocam enormes fracturas na sociedade e, por isso, são ameaças à coesão social e ao regime democrático, estando já a causar disrupções no comportamento individual e colectivo de consequências irreversíveis. A ruptura só poderá ser evitada com estabilidade politica e económica, que permitam aos cidadãos recuperar a confiança no Estado.
Portugal tem de mudar de rumo pela força da razão.
Os militares e o país que servem
Têm sobejos motivos para assim proceder quando se assiste a um perverso entendimento de que, em paralelo com os severos deveres e restrições ao direito de cidadania que lhes são exigidos a troco da sua condição militar, vêem, em igual ou superior proporção, ser-lhes retirados direitos e impostos sacrifícios que, para além de violentamente fustigarem as suas condições de vida, atentam contra a sua dignidade insidiosamente posta em causa.
Salta à evidência que, quando reclamam pelo que lhes vai acontecendo, no seu lugar poderia estar um desempregado ou empregado, um pensionista ou trabalhador activo, um funcionário público ou quem o não é, empresários, jovens e idosos. Enfim, têm a noção de que assistem razões à generalidade da população para se sentir injustiçada pelos avassaladores sacrifícios que a todos penaliza e, com uma tal dimensão, que transforma em desgraçada naturalidade a forma como estatisticamente se tratam os que passam fome e os que, envergonhadamente, se escondem da pobreza a que os conduziram.
Estamos, pois, todos no mesmo barco. Mais parecendo nau que se vai afundando, não por umas quaisquer causas da natureza, mas antes assemelhando-se, utilizando uma imagem do passado, a um trágico episódio em que uma “quadrilha de piratas” dela tomou conta e não desiste enquanto a não afundar.
Há alturas em que, individual ou colectivamente, podemos ser confrontados com sacrifícios. Num e noutro caso manda a razão que lhes procuremos as causas para, da forma que melhor se adeque, encontrarmos a solução para ultrapassá-los. E é isso que, no mínimo, se exige que seja explicado para que, sujeitos do sacrifício, entendamos os caminhos que nos são propostos para os suportar.
Dir-nos-ão uns que são suficientemente clarificadas as soluções propostas, encarregando-se de acrescentar sobejas justificações para fundamentar o que a generalidade da população teima em não entender. Surgem outros, com o mesmo entendimento dos primeiros, aplaudindo igualmente o caminho escolhido, mas justificando o injustificável com o argumento de que as medidas aplicadas só pecam por insuficiência ou dificuldade de explicação. Numa sucessão de “explicadores” da área da governação sucedidos por um infindável corrupio de comentadores de diferentes matizes, mas todos eles, de uma ou de outra maneira, na busca do melhor fundamento que possa colher a aceitação dos seus destinatários.
Incansáveis, tudo fazem, os nossos governantes e mais alguns, para nos levar a compreender o que só “indiscutíveis sabedorias” conseguem alcançar. Dividindo e lançando todos contra todos, recorrendo à clássica estratégia de “dividir para reinar” e assim obter sucesso na aplicação de injustas e desequilibradas medidas, fazendo crer às partes “desavindas” a aparência de justa causa, quando a causa injusta é generalizada.
Algo de profundamente anormal se passa.
À excepção dos governantes, de uma troika que, naturalmente, cuida dos interesses que representa (os omnipresentes mercados…), nada coincidentes com os do País, e de uma parafernália de comentadores de serviço, ninguém compreende a utilidade dos remédios aplicados para uma suposta cura, quando os factos e a evidência demonstram que, a não ser alterada a prescrição, não tarda, o doente certamente sucumbirá perante o tratamento que lhe foi administrado.
Urge, pois, encontrar forma de ajudar os nossos incansáveis governantes a encontrar melhor maneira de convocar os cidadãos em geral e, naturalmente, os militares também, a entender e a mobilizarem-se para ultrapassar esta curva apertada da nossa vivência colectiva. Em uníssono preferencialmente, pois sacrifícios distribuídos por todos, incluindo os particulares responsáveis pelo estado a que foi conduzido o País, tornarão tudo bem mais fácil.
Em jeito de modesto contributo sugerimos, então, que se faça aquilo que logo de início, aquando do diagnóstico feito às depauperadas contas do País, devia ter sido feito, como método e séria postura perante todos nós como comunidade, em favor de uma necessária compreensão para o atoleiro da dívida a que a Nação foi conduzida:
"Desmultiplique-se a dívida pública e outras dívidas e explique-se-nos as suas origens, os seus responsáveis, como foram utilizados os dinheiros públicos e ao serviço de quem e tudo o mais que houver a aclarar e se considere necessário para português entender.
Recorrendo a cidadãos com provas de integridade e irrepreensível conduta, moral e eticamente exemplares, à prova de qualquer suspeita e não condicionados por quaisquer espécie de interesses que possam colidir com tal missão e que, outros, que não os governantes e correlativos (já nos deram sobejas provas de que não são confiáveis), ajuízem quem poderá reunir o adequado perfil para tão nobre encargo."
Estamos em crer, diríamos até, com um elevado grau de probabilidade, que se tornaria bem mais fácil convocar os portugueses para o altar dos sacrifícios que fossem requeridos, na certeza de que o seriam com diferente critério de justiça e equidade, pois mais facilmente se perceberia que as responsabilidades são, contra o que vem sendo afirmado, qualitativa e quantitativamente, bem diferentes.
E estamos em crer que os portugueses em geral, os militares e as Forças Armadas de Portugal, com funções de soberania no Estado que somos e na Pátria que se lhes exige, estejam prontos a defender, estariam dispensados de cortes a esmo fazendo perigar a paz social que todos desejamos e os alicerces de um Estado que pretendemos ao serviço de todos.
Coronel, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
GOVERNAÇÃO ,LEGISLAÇÃO SACRIFICIAL.
" Significado de sacrificial: referente ao sacrifício ou à oferta feita à divindade; sacrifical;
|
Logo sr. Presidente aja, e portugueses ajamos também:
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
PORTUGAL IMPLODE ?
Manifestação das forças de segurança
ttp://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/policias-manifestcao-lisboa-parlamento-confrontos-tvi24/1512309-4071.html
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Os 60 anos de entrada no PILÃO (1953-2013)
Uma primeira palavra de agradecimento ao actual Director do nosso Pilão, Sr. Coronel Miranda Soares. De agradecimento pela gentileza da sua recepção, do seu acolhimento, pela visita que nos proporcionou e pelas suas palavras de ânimo e esperança. Obrigado.
Outra palavra, com o mesmo sentimento e um especial abraço ao Presidente da nossa Associação de ex-alunos, caro Américo Ferreira. A nossa Associação sendo o prolongamento da nossa vida e memória no Pilão é um instrumento fundamental na persecução do necessário apoio aos seus associados [diria que a todos os Pilões] é, como nunca, um indispensável apoio ao Instituto como à continuação da sua vida!
Ao aluno comandante de batalhão, Rachid Pachir, obrigado pela presença. Peço-te transmitas a todos os alunos o nosso desejo de que possais chegar, como nós, ao tempo de celebrar semelhante evocação.
Aos ex-alunos, contemporâneos ou não, que nos honram com a sua presença e participação, o nosso igual bem-haja. E bem assim aos familiares presentes, do falecido Luís Marreiros e do António Tavares a nossa solidariedade na dor dos seus e nossos entes queridos.
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Encontramo-nos presentes 17 ex-alunos, tendo já falecido 10, dos então 46 jovens que há precisamente 60 anos entraram pelos portões desta casa. Todos passamos dos setenta anos de idade...São duas as grandes razões que aqui nos trouxeram:
-frequentámos esta Escola e vivemos sessenta anos, depois de nela entrar, mas
subsidiariamente, os que aqui estão juntaram a essas principais razões todos os outros motivos para “querer” e “poder” evocar a data. Quisemos marcar a efeméride. Aqui estamos.
Chegados aqui, talvez bastasse não dizer nada,
quedarmo-nos mudos, trocar abraços, reprimir ou esconder lágrimas e nostalgias.
Quantos choros abafados viajaram por estes claustros?
Quantas alegrias esbaforidas por aqui tropeçaram?
Quantas brincadeiras ingénuas ziguezaguearam por estas arcadas?
Quantas chuvas e sois nos fustigaram e estas paredes nos acolheram?
Já o dissemos há dez anos, difícil era, não o repetir hoje; não repetir que
… recordamos com saudade o tempo que passou, a casa que nos educou, os amigos que ficaram, os que já partiram e os laços que nos uniram...
Nestes sessenta anos que comemoramos não é por acaso que é aqui, nos claustros, na “alma mater” da casa que nos viu crescer que nos encontramos, nem é por acaso que é numa das suas paredes que ficará outro registo da nossa evocação:
Sessenta longos anos passaram…
Da etapa que marcou as nossas vidas.
Amigos – os que partiram e os que ficaram,
Aos vindouros, legamos esperanças merecidas!
Amigos que partiram, mais seis que há dez anos: 32-Humberto Moita,37-António Tavares,69-Frazão Gouveia, 96-Carlos Mendonça, 106-Jorge Pimentel,168-Germano Lopes,191-Rebordão Brito, 231-Isaque Ramos,260-Luís Marreiros, 396-Gaspar Santos
Estes são os nossos que já não pudemos convocar. Mas porque vos queremos connosco, dizemos: “estais presentes” . No próximo minuto elevamos a vossa memória no silêncio da saudade.
(um minuto de silêncio)
..........................
Sessenta longos anos passaram…
Seis décadas de grandes mutações na vida de cada um e na vida da sociedade...
Foi este o tempo que passou e com ele nós.
Vimos mudar de Século e de Milénio. Passámos aos anos 2000: uns com muita esperança, outros com menos, se calhar alguns com pouca...mas todos com a certeza de que as crises, as grandes crises despertam as consciências. Obrigam-nos a desejar um mundo melhor: mais fraterno, com menos assimetrias...com uma liberdade mais autêntica.
Foi este o tempo que passou (60 anos muito peculiares) e com ele nós.
Da etapa que marcou as nossas vidas.
Da...casa que nos educou. Uma Escola criada com a República. Uma Escola para os que dificilmente teriam tido formação secundária e média se o “Pilão” não existisse. Por isso e não só uma Escola especial; dela o que se recebeu se recebeu com uma gratidão singular.
Na maioria éramos filhos de gente humilde e terá sido uma das primeiras lições aprendidas nesta casa: construirmo-nos na força de que, por virmos de gente humilde, não seriamos por isso “gente menor”, ao contrário ,aqui aprendemos a ter orgulho de nos fazermos grandes.
Maiores em vontade de vencer, em vontade de resistir às adversidade e às dificuldades, numa dinâmica de receber tudo o que a Escola teve para nos dar
qualquer fosse a estação do ano em matéria das crises que a visitavam.
A Escola sempre teve crises, ciclicamente. Não é coisa só de agora. Delas soube renascer.
Nós sabemos bem as diferentes fases porque cá passámos!
Por isso, repito, aqui aprendemos a “ter orgulho na vontade de vencer”. Vencer com dignidade sob a égide de QUERER É PODER.
Tínhamos disciplina, pois tínhamos. Tínhamos regras para todos, desde os que tinham dez anos até aos que tinham dezoito (ou mais anos) mas foi assim. Mas essa disciplina, essas regras eram eficazes porque integravam valores. Aprendemos a respeitar valores. Poderiam não ser os mais correctos, poderiam estar contagiados pela filosofia do Poder “reinante” (estavam com certeza) mas hoje sabemos que assim como a rebeldia dos jovens que éramos os recebeu (recebeu esses valores, adquiriu sentido das responsabilidades e graus de exigência), também mais tarde a maturidade e formação adquirida, soube interpretá-los no sentido mais justo e equilibrado. Nada é fim em si mesmo. Os valores e princípios que contam são os que interessam à construção duma sociedade onde sejamos mais felizes.
Pois se hoje se diz que há uma crise de valores. Abençoada Escola que ainda hoje e aqui nos faz recordá-los.
Da casa que nos educou poderíamos dizer tanta coisa mas já todos o sabemos. Foi um universo construído por muitos: oficiais, professores (militares e civis),gente anónima, sargentos, cabos, praças e funcionários. Todos arquitectos de um Pilão melhor; que sempre quiseram o melhor, o melhor possível.
A nossa passagem (na década de 50) até teve a particularidade de conviver com titulares de notável empenhamento em reformar o Instituto, em colocá-lo no lugar que ele merecia, no topo duma hierarquia de prestígio, como instituição de ensino, no Portugal de então. Houve lugar à inovação e à tomada de maior consciência social. E não só isso, houve um notável esforço para acabar com a traumática desigualdade comércio/industria…muito sentida e sofrida por todos nós na década referenciada. Nunca deve ser esquecido o Coronel Ferreira Gonçalves, então Director, figura central desse empreendimento a par do ajustamento da melhoria de condições à dignidade merecida pelo Pilão.
Mas também nós -os próprios alunos- fomos obreiros da construção da nossa casa e de cada uma das épocas nela vivida. Será possível esquecer a quota-parte que tínhamos, no dia à dia, na sua gestão?
Rebeldes ou submissos eramos “malta brava”. Limites entre os quais -rebeldia ou submissão- a nossa formação acabava por se fazer. Mas se entre essas margens fomos cooperantes na construção da nossa Escola, entre outras fronteiras, nela, nos fomos construindo como pessoas:
-entre tristezas e alegrias;
-entre justiças e injustiças;
-entre preferências e preterições;
-entre vitórias e derrotas
-entre, tantas outras contradições e paradoxos, verso e reverso, nos fizemos homens.
A Escola, o Pilão” nos tornou adultos e diferentes.
Amigos – os que partiram e os que ficaram,
Amigos, que o mesmo será dizer dos amigos que fizemos ou dos amigos que somos e dos laços que nos uniram mais do que falar disso será senti-lo nos encontros/desencontros de que somos protagonistas quer durante a frequência no Instituto quer ao longo destes sessenta anos. Quer mesmo quando, ano após ano, a vida de alguns se esfuma e nos afaga a saudade eterna.
São de facto circunstâncias de um tempo vivido caracterizado por contradições entre alegrias e sofrimentos, entre sucessos e insucessos, que nos fizeram mais Amigos e que teceram os laços que nos uniram e nos unem.
Às dificuldades ou à dor do companheiro do lado nunca ficávamos indiferentes.
Aí começávamos a erguer as fundações duma Amizade duradoura e a criar condições para comungar com ele (companheiro do lado) também alegrias e sucessos...A Escola, o Pilão, foi pelo que já antes se referiu natural viveiro de Amizade, de espirito de camaradagem e de cumplicidades sem termo.
Erguemos a amizade e os laços que nos uniram e ainda nos unem. Soubemos transformar os “encontros/desencontros” numa dinâmica de afirmação onde prevalece o positivo, onde prevalecem os princípios adquiridos.
A partir daqui cada um, à sua maneira, na construção de pequenos ou grandes feitos, foi construindo um mundo melhor para os vindouros.
Aos vindouros, legamos esperanças merecidas!
Aos vindouros…podemos repetir : “Vimos mudar de Século e de Milénio. Passámos aos anos 2000:uns com muita esperança, outros com menos, se calhar alguns com pouca...mas todos com a certeza de que as crises, as grandes crises despertam as consciências. Obrigam-nos a desejar um mundo melhor: mais fraterno, com menos assimetrias...com uma liberdade mais autêntica.”
Nós mais velhos estamos disso convencidos e apesar dos fustigantes ventos que sopram…. aos vindouros legamos as esperanças que bem merecem, e todos merecemos, numa verdadeira sociedade democrática.
Vou concluir.
Estamos em 2013, sessenta anos depois da nossa entrada no Pilão e cento e dois anos depois de ele ter nascido...
Estará velha a Escola?! Já não serve?! Quiseram acabar com ela?!
Tem havido força e coragem para convencer os decisores da razão que assiste à continuidade e dignificação do Instituto. Estaremos gratos aos ex-alunos e a todos que se têm empenhado nessa ciclópica tarefa, permitindo-nos destacar a nossa Associação( a n/APE) e as últimas direcções do IPE .
Mas houve luta….e essa luta continua.
Temos a obrigação de pugnar para que o Pilão continue vivo e, mais, para que ele volte a ter o lugar que merece numa hierarquia de prestígio, como instituição de ensino, plena de tradições e de serviço prestado ao Desenvolvimento nacional nas vertentes técnica, económica, cultural, cívica ou militar.
Julgo que estamos convictos que temos de perfilhar uma acção coordenada e objectiva. É um desafio para todos os ex-alunos. É um repto para nós que devemos aproveitar esta comemoração elegendo como objectivo para novos e futuros passos:
-o reforçar ainda mais o movimento associativo de ex-alunos para que o Instituto continue bem vivo, para que, independentemente dos acertados e mais que justos despachos favoráveis à sua manutenção, a Escola readquira o estatuto que merece, impondo-se por si mesma, em qualidade e dignidade;
Obrigado. Obrigado Pilão continuamos-te grato. QUERER É PODER.
Disse.
30-Manuel D.Clemente, por mandato da Comissão Organizadora desta comemoração dos 60 anos de entrada no Pilão.
Instituto dos Pupilos do Exército, aos 1 de Novembro de 2013.


